Historinha curta2 min
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Era uma tarde de primavera. O vento fazia cócegas nos trevos e o sol aquecia as costas dos porquinhos quando eles se despediram da mãe com um abraço.
— Cuida bem da casa, mamãe — disse o primeiro, ajeitando a bolsa de palha.
— Volto logo — respondeu ela, sorrindo.
O primeiro porquinho cantou enquanto empilhava palha: a casa nasceu rápida, dourada e perfumada de verão. O segundo juntou galhos do bosque; sua casinha rangeu e deixou passar luz em fileiras finas. O terceiro trabalhou devagar, com tijolos, régua e argamassa; o som do martelo fazia um ritmo constante: tom, tom.
Na sombra dos carvalhos, o lobo ouviu o farfalhar da palha. Aproximou-se sorrateiro, lambendo os beiços.
— Vou soprar e vou soprar — murmurou ele.
Chegou à casa de palha e soprou tão forte que tudo voou. O porquinho correu, com as orelhas ao vento, direto para a casa de galhos.
— Rápido, entra! — gritou o segundo, fechando a porta que estalava.
O lobo sorriu e soprou outra vez. Os galhos cederam como canudos. Os dois pularam, um atrás do outro, até a casa de tijolos do irmão.
O terceiro fechou a porta, pôs a chave e ficou firme. O lobo soprou, bufou e nada. Subiu ao telhado, olhou pela chaminé e começou a descer. Os porquinhos se entreolharam.
— Fiquem juntinhos — disse o terceiro, com a voz baixa.
Na cozinha, o primeiro acendeu um fogo para encher a chaminé de fumaça. O cheiro subiu, os olhos picaram; o lobo tossiu lá em cima, repensou tudo e, meio envergonhado, saltou para fora da chaminé, caiu numa pilha de folhas e saiu correndo pelo bosque, abanando-se.
Os porquinhos saíram rindo, sacudiram as roupas e dividiram um pedaço de bolo e uma maçã. O terceiro bateu na parede com a ponta dos dedos e sorriu:
— Foi melhor assim — disse ele. — Juntos.
Sentaram-se na soleira, o sol aquecido nos pés, e ouviram um pardal cantar.
Historinha longa6 min
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Havia uma tarde de primavera em que o vento brincava com o cabelo dos trevos e o sol pousava quente nas costas de quem andava preguiçosamente pelo campo. Nessa tarde, os três porquinhos se despediram da mãe com um abraço úmido e promessas de voltar com histórias.
— Cuida bem da casa, mamãe — disse o primeiro, ajeitando a bolsa de palha no ombro.
— Volto logo — respondeu ela, com os olhos brilhando.
O primeiro porquinho gostava de cantar e de coisas que se montavam rápido. Encontrou um canto tranquilo junto a uma cerca e, entre risadas, empilhou fardos de palha. O telhado foi uma nuvem dourada que estalava sob seus dedos; o cheiro quente da palha lembrava verão. Quando terminou, bateu as patas satisfeitas e cantou:
— Agora posso descansar!
O segundo porquinho, que gostava de andar pelo bosque, juntou galhos e ramos. Montou uma casinha que rangia e tinha frestas por onde passava a luz como dedos. Era mais firme que a palha e, ao tocar, os galhos cricriavam. Satisfeito, encostou-se e abriu um sanduíche.
O terceiro porquinho, calmo e paciente, trouxe tijolos, um balde com argamassa e uma régua curta. Apontava cada peça como alguém que desenha com as mãos. A parede crescia vermelha, a argamassa cheirava a barro molhado, e quando batia o martelo o som era compassado — tom, tom. Ele trabalhou até o entardecer, ajeitando o batente da porta e polindo a soleira com um pano áspero.
Mas nem todo mundo passeava sob o sol. Ali perto, na sombra dos carvalhos, vivia o lobo mau. Ele ouviu palha sendo soprada pelo vento e sentiu um faro curioso; rolou os lábios, com a barriga roncando. Aproximou-se sorrateiro, as patas quase sem som na terra, e viu a casinha de palha.
— Então é por aqui? — murmurou o lobo, com a voz como vento frio. — Bom apetite.
Bateu palmas e, com os olhos brilhando, soprou: "Vou soprar e vou soprar e sua casa vou derrubar!" O primeiro porquinho, ainda com pó de palha no pelo, ouviu o assobio e correu. A palha levantou-se num chover dourado; a casinha desfez-se como um cobertor sacudido e o porquinho correu, com as orelhas batendo, até a casa de galhos do irmão.
— Rápido, entra! — chamou o segundo, fechando a porta por entre ramos que estalavam.
O lobo viu a nova casa e sibilou: — Outra casinha? — Suspirou e soprou. Primeiro veio um gemido, depois um estrondo: os galhos rangeram, caíram e a luz entrou em palitinhos. O segundo porquinho virou-se com o rosto branco:
— Corre! — e os dois saltaram, um pulinho depois do outro, até a casa de tijolos do terceiro irmão.
A casa de tijolos recebeu-os com o som sólido da porta. Lá dentro, a parede exalava um calor seco; o chão não tremeu quando bateram. O terceiro porquinho fechou a porta, colocou a chave e ficou de pé, como um amigo que espera.
O lobo chegou bufando, o pelo eriçado. Ele inspirou fundo e soprou, soprou como se levasse no ar todas as nuvens. A casa de tijolos nem se mexeu. O lobo soprou outra vez, enfiou as duas mãos na boca e fez um uivo longo que sacudiu as folhas. Nada. As paredes mantiveram-se firmes, e dentro a lambada do vento mal chegava.
— Não é justo! — resmungou o lobo mau.
Então ele mudou de ideia. Subiu no telhado com as unhas arranhando a telha; olhou pela chaminé e murmurou um plano. Os porquinhos ouviram o som de passos em cima do telhado. Com os olhos arregalados, viram o lobo inclinar-se e começar a enfiar a cabeça pela chaminé. O terceiro porquinho esticou os braços, fechou a boca e fez sinal aos irmãos:
— Fiquem juntos! — disse baixinho.
O primeiro porquinho correu para a cozinha e, com mãos trêmulas, acendeu um fogo na lareira. Não para ferir alguém, mas para encher a chaminé de fumaça e espantar quem estivesse descendo. O cheiro de lenha queima subiu azul e áspero, os olhos dos porquinhos pingavam e tossiam. O lobo, lá de cima, sentiu um arrepio e começou a tossir. A fumaça cheirou a histórias de inverno, a mantas molhadas.
De repente, um estrondo aconteceu: o lobo pulou para fora da chaminé como um sopro mal-acabado, deslizou pelo telhado, bateu as patas na beira e caiu numa pilha de folhas secas do lado de fora. Saiu de lá coberto de folhas e espinhos, surpresa de rascunho, e correu pela trilha, abanando-se, com a língua de fora e o rabo eriçado. Não era ferido — apenas muito, muito envergonhado.
Os três porquinhos saltaram para fora, sacudindo as roupas e rindo um bocado que parecia um pequeno trovão. O primeiro pegou uma palha que ficou presa do lado de fora e fez um tufo que cintilou ao sol. O segundo tirou um galho do pelo e ajeitou o casaco. O terceiro limpou a argamassa das mãos e olhou para os irmãos com olhos de quem entende algo profundo.
— Trabalho bem feito — disse ele, batendo a parede com a ponta dos dedos. — Mas juntos foi melhor.
Sentaram-se na soleira, as patas doces do dia aquecendo o chão de pedra. O vento trouxe cheiro de terra molhada e, lá longe, um pardal cantou. O primeiro porquinho ofereceu um pedaço de bolo de aveia; o segundo estendeu uma maçã. Riram do lobo e da sua pressa, lembrando os sopros e o barulho das casas se desfazendo como folhas.
Naquela noite, enquanto o céu se enchia de estrelas pontilhadas, os três porquinhos conversaram sobre o que aprenderam. O primeiro prometeu pensar antes de montar qualquer coisa apressada; o segundo admitiu que às vezes conforto não basta; e o terceiro, sem orgulho, disse que convidaria os irmãos sempre para ajudar.
Dormiram juntos, colados, e acordaram com uma brisa morna que espalhava um perfume de pão doce. O terceiro porquinho abriu a porta e viu o campo: todo parecia feito para quem se cuida e cuida do outro.
Desde então, quando o vento tenta bagunçar as coisas pelo campo, os três porquinhos se lembram de como foi bom trabalhar e proteger-se lado a lado. E se, de vez em quando, o lobo mau volta a rondar por perto, ele encontra uma casa de tijolos, três rostos sorridentes na janela e, um pouco mais difícil de enganar, três amigos que sabem se unir.