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Contos Clássicos

Contos clássicos, historinhas que atravessam gerações! Encontre 2 historinhas organizadas para leitura infantil.

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Os Três Porquinhos
Contos Clássicos
Faixa 5+

Os Três Porquinhos

Era uma tarde de primavera. O vento fazia cócegas nos trevos e o sol aquecia as costas dos porquinhos quando eles se despediram da mãe com um abraço. — Cuida bem da casa, mamãe — disse o primeiro, ajeitando a bolsa de palha. — Volto logo — respondeu ela, sorrindo. O primeiro porquinho cantou enquanto empilhava palha: a casa nasceu rápida, dourada e perfumada de verão. O segundo juntou galhos do bosque; sua casinha rangeu e deixou passar luz em fileiras finas. O terceiro trabalhou devagar, com tijolos, régua e argamassa; o som do martelo fazia um ritmo constante: tom, tom. Na sombra dos carvalhos, o lobo ouviu o farfalhar da palha. Aproximou-se sorrateiro, lambendo os beiços. — Vou soprar e vou soprar — murmurou ele. Chegou à casa de palha e soprou tão forte que tudo voou. O porquinho correu, com as orelhas ao vento, direto para a casa de galhos. — Rápido, entra! — gritou o segundo, fechando a porta que estalava. O lobo sorriu e soprou outra vez. Os galhos cederam como canudos. Os dois pularam, um atrás do outro, até a casa de tijolos do irmão. O terceiro fechou a porta, pôs a chave e ficou firme. O lobo soprou, bufou e nada. Subiu ao telhado, olhou pela chaminé e começou a descer. Os porquinhos se entreolharam. — Fiquem juntinhos — disse o terceiro, com a voz baixa. Na cozinha, o primeiro acendeu um fogo para encher a chaminé de fumaça. O cheiro subiu, os olhos picaram; o lobo tossiu lá em cima, repensou tudo e, meio envergonhado, saltou para fora da chaminé, caiu numa pilha de folhas e saiu correndo pelo bosque, abanando-se. Os porquinhos saíram rindo, sacudiram as roupas e dividiram um pedaço de bolo e uma maçã. O terceiro bateu na parede com a ponta dos dedos e sorriu: — Foi melhor assim — disse ele. — Juntos. Sentaram-se na soleira, o sol aquecido nos pés, e ouviram um pardal cantar.

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Cinderela
Contos Clássicos
Faixa 9+

Cinderela

Cinderela acordou com o cheiro de sopa e o estalo do fogo no fogão. O avental tinha pó e cinzas; quando ela passou a mão, os grãos brilhavam como estrelinhas na madeira. No espelho da cozinha, o rosto dizia cansaço, mas os olhos ainda eram claros. — Levanta, Cinderela — chamou a madrasta com voz de comando. — Tem carta do castelo. Quero tudo limpo. A carta chegou às mãos das irmãs como um tesouro. "Baile no castelo", leu a madrasta, e os olhares se encheram de vestidos e joias. Cinderela abriu o baú, achou um vestido velho, tentou remendar. A renda rasgou outra vez. Ela chorou, e as lágrimas fizeram luas sobre o tecido. O gato veio se aconchegar no colo e sonhou com ronronar macio. O quintal respirou diferente. Surgiu uma senhora com roupa de luar — a Fada Madrinha. Ela tocou a ponta do nariz de Cinderela e sorriu. — Você queria ir ao baile — disse ela. — Vamos transformar isso. Num piscar, a abóbora virou carruagem brilhante. Ratinhos viraram lacaios adormecidos; as cobras do jardim fizeram os arreios. O vestido remendado virou cetim azul que sussurrava quando Cinderela girava. Um sapatinho de cristal pousou em seu pé. A Fada avisou, doce: — À meia-noite, tudo volta. Corra se ouvir os sinos. No baile, o príncipe viu Cinderela assim que ela entrou. Eles dançaram como se o mundo tivesse só passos e risos. Quando o relógio começou a bater, o coração dela bateu mais forte. Ao soar a décima segunda badalada, ela correu pela escada. No último degrau, o sapatinho escorregou e ficou para trás. O príncipe saiu pela cidade com o sapato na mão, pedindo que todas provassem. As irmãs tentaram e falharam, enfiando o pé sem jeito. Cinderela ficou atrás da porta, segurando o avental, as mãos trêmulas. Entrou devagar, calçou o sapatinho. Encaixou-se perfeito. Uma alegria quente subiu por ela — não luxo, mas ser reconhecida. — Cinderela? — disse o príncipe, com o sorriso de quem acende uma janela. No casamento houve risos, música e a sopa mais doce que ela já provara. À noite, antes de dormir, Cinderela encontrou no bolso do vestido um pedacinho da velha renda. Sorriu e guardou a lembrança.

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