Os Três Porquinhos
Era uma tarde de primavera. O vento fazia cócegas nos trevos e o sol aquecia as costas dos porquinhos quando eles se despediram da mãe com um abraço. — Cuida bem da casa, mamãe — disse o primeiro, ajeitando a bolsa de palha. — Volto logo — respondeu ela, sorrindo. O primeiro porquinho cantou enquanto empilhava palha: a casa nasceu rápida, dourada e perfumada de verão. O segundo juntou galhos do bosque; sua casinha rangeu e deixou passar luz em fileiras finas. O terceiro trabalhou devagar, com tijolos, régua e argamassa; o som do martelo fazia um ritmo constante: tom, tom. Na sombra dos carvalhos, o lobo ouviu o farfalhar da palha. Aproximou-se sorrateiro, lambendo os beiços. — Vou soprar e vou soprar — murmurou ele. Chegou à casa de palha e soprou tão forte que tudo voou. O porquinho correu, com as orelhas ao vento, direto para a casa de galhos. — Rápido, entra! — gritou o segundo, fechando a porta que estalava. O lobo sorriu e soprou outra vez. Os galhos cederam como canudos. Os dois pularam, um atrás do outro, até a casa de tijolos do irmão. O terceiro fechou a porta, pôs a chave e ficou firme. O lobo soprou, bufou e nada. Subiu ao telhado, olhou pela chaminé e começou a descer. Os porquinhos se entreolharam. — Fiquem juntinhos — disse o terceiro, com a voz baixa. Na cozinha, o primeiro acendeu um fogo para encher a chaminé de fumaça. O cheiro subiu, os olhos picaram; o lobo tossiu lá em cima, repensou tudo e, meio envergonhado, saltou para fora da chaminé, caiu numa pilha de folhas e saiu correndo pelo bosque, abanando-se. Os porquinhos saíram rindo, sacudiram as roupas e dividiram um pedaço de bolo e uma maçã. O terceiro bateu na parede com a ponta dos dedos e sorriu: — Foi melhor assim — disse ele. — Juntos. Sentaram-se na soleira, o sol aquecido nos pés, e ouviram um pardal cantar.
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