Capa: Joãozinho e o Dragão

Aventura

Joãozinho e o Dragão

5+7 min de leitura

No alto da serra, onde a vila troca sussurros e as oliveiras dançam, Joãozinho encontra um dragão enredado e com a pata presa por um espinho, enquanto os adulto.

Guia para pais e responsaveis

Historinha curta - 2 min

Um resumo com os pontos essenciais da historia. Perfeito para uma leitura rapida antes de dormir ou para apresentar o enredo de forma leve.

Historinha longa - 7 min

A versao completa, com mais detalhes e ritmo de leitura para quando houver tempo de curtir a historia inteira com calma.

Historinha curta2 min
No alto da serra, Joãozinho estendia as pernas na relva e olhava nuvens. Numa tarde o céu ficou mel e um sopro rouco fez as oliveiras dançarem. Na vila sussurraram: "Dragão". Na escola apareceram marcas de fumaça e o medo apertou os adultos. Joãozinho não tinha espada. Tinha curiosidade. Calçou meias grossas, pegou um galho fino e saiu com uma lanterna que piscava como olho de vaga-lume. O sopro veio de além do bosque, quente e cheirando a canela. Achou um bicho enorme, escamas verdes como telhas molhadas, uma asa enredada num tronco e o pé tremendo. O dragão soltou um suspiro longo que parecia um soluço. Joãozinho ergueu o galho e tentou parecer valente. — Vai embora! — murmurou, sem saber por que. O bicho não atacou. Choramingou. Joãozinho sentiu que o barulho vinha de dor. Ao olhar entre as garras, viu um espinho fino preso na sola, brilhando como agulha. Ele voltou correndo à vila e trouxe chá quente. Colocou a tigela perto; o dragão fez vapor e o chá estremeceu. O menino sentou num tronco, as mãos tremendo. Pegou um pano que cheirava a manteiga, limpou ao redor do espinho, respirou devagar e esperou. Trouxe do bolso um fio de lã molhado. Encostou com cuidado, a lã abraçou o espinho e Joãozinho puxou rente. O espinho saiu com um suspiro que fez as folhas baterem. O dragão sacudiu-se, pequenas faíscas de luz subiram e se perderam no céu. O bicho inclinou a cabeça e deu um beijo quente, como língua de lã, na testa do menino. Joãozinho riu e sentiu vontade de chorar. Na manhã seguinte, a vila achou presentes: galhos, frutas maduras, flores. O medo virou curiosidade. O dragão cozinhava folhas para chá e soprava nuvens cheirosas. Joãozinho e ele sentavam junto ao riacho; às vezes subiam a serra, olhavam o vale e saboreavam o vento. A coragem vinha do cuidado. E a amizade nasceu de um gesto miúdo, feito com calma e um fio de lã.
Historinha longa7 min
Joãozinho e o Dragão No alto da serra, onde o vento cheirava a capim cortado e a madeira velha da cerca rangia como cadeira de avó, Joãozinho gostava de ficar. Ele estendia as pernas no gramado e observava as nuvens fazerem figuras de bichos. Numa tarde de verão, o céu ficou cor de mel e, bem lá longe, um som diferente apareceu: um sopro longo, meio rouco, que fez as folhas das oliveiras dançarem em passo lento. — O que foi isso? — perguntou Joãozinho, franzindo o nariz. O som vinha de além do bosque, onde o barro cheirava a chuva antiga e o riacho brilhou como fita prateada. Na vila, as vozes se espalharam como pão quente: uns disseram que era vento no barranco; outros, que corujas brigavam. Mas quando, à noite, algo bateu no telhado da escola com um baque surdo e deixou marcas de fumaça sobre a chaminé, o medo apertou o peito das pessoas. "Dragão!", cochichou a dona Marina, segurando o avental. Joãozinho não era valente do tipo que empunha espada. Ele era curioso até a ponta dos cabelos. No crepúsculo, com uma lanterna de lata que fazia sombra dançar na parede, ele saiu. Calçou meias grossas, vestiu a jaqueta do irmão e agarrou um cajado fino: um galho de guapuruvu que cheirava a seiva. No caminho, ouviu o mesmo sopro. Um ronronar baixo, misturado a um gemido. Quando se aproximou, o coração fez festa e medo junto: havia um bicho enorme, com escamas verdes que lembravam telhas molhadas, olhos redondos como pratos e uma fumaça cheirosa de canela saindo das narinas. Uma asa dobrada estava enroscada num tronco e a ponta do pé, enorme, tremia. Joãozinho fez o que vira nos livros do irmão: ergueu o cajado, plantou o pé e tentou parecer valente. — Ei! — murmurou. — Vai embora! O bicho virou a cabeça devagar. Um suspiro enorme sacudiu o ar e um fio de fumaça subiu, tingindo as estrelas. O grande animal não atacou. De dentro dele veio um soluço. Uma tristeza pequena, quase um eco. Joãozinho, confuso, bateu o cajado no chão como um cavalo em desfile. O som abafado apenas fez o bicho encolher-se mais. Sua asa chiou; a madeira do galho estalou sob a chuva leve que começara. O menino se aproximou, mas sem saber, puxou o galho seco e deixou cair um pedaço pontudo que latejou no pé do bicho. O dragão uivou baixinho e lambeu a pata com uma língua áspera. — Desculpa — disse Joãozinho, sentando num tronco. As mãos tremiam. Ele cheirou o ar: fumaça doce, terra molhada, um odor de folhas esmagadas. O grande olhar se abriu em surpresa, não em fúria. Joãozinho tentou de novo. Correu até a vila, voltou com uma tigela de chá quente que a dona Marina oferecera, pensando que calor ajudaria. Colocou a tigela perto, mas o bicho, desconfiado, deu um sopro que fez o chá estremecer. Uma nuvem de vapor com cheiro de erva subiu e Joãozinho deu dois passos para trás, com riso preso no peito. Sua tentativa de ajudar parecia atrapalhar. O menino sentiu um nó na garganta e, por um instante, pensou em ir embora. Mas quando o animal choroso apoiou a cabeça sobre as patas, um miado de dor quebrou a noite. Joãozinho viu algo entre os garras: um espinho muito fino, enfiado na sola, brilhando como uma agulha. — Ah — ele sussurrou. Não havia coragem macho nem prestígio de cavaleiro, só um medo pequeno e um desejo grande de ver o bicho sem dor. Joãozinho pegou um pano limpo que a mãe usava para puxar pães do forno; o tecido cheirava a manteiga. Com mão leve, limpou ao redor do espinho, sentiu a pele quente como pedra aquecida. O bicho recuou, um estalo de asas que lembrou panos batidos; depois fechou os olhos, como se compreendesse que ali não vinha violência. Ele tentou puxar com força, mas o espinho não saiu. Na pressa, Joãozinho quase fez o bicho gemer de novo. Aprendeu, então, a respirar devagar, a observar o tremor da pata, a esperar o momento certo. Num silêncio cheio de estrelas, tocou a ponta do espinho com um fio de lã molhada, que trouxe do bolso. A lã escorregou, abraçou o espinho, e Joãozinho puxou rente. O espinho saiu com um suspiro longo que fez as folhas do pinheiro aplaudirem. O animal sacudiu-se, e pequenas faíscas de luz — não de fogo, mas como pó luminoso — levantaram e se perderam no céu. O bicho protestou num ronco, mas, em seguida, enrolou-se e deixou escapar uma fumacinha cheirosa que lembrava pão saindo do forno. — Está doendo? — Joãozinho cochichou, sentindo as pernas bambas. O bicho inclinou a cabeça e, com uma língua molhada e quente, deu um beijo tímido na testa do menino. O toque foi macio como lã e trouxe um calor de abraço. Joãozinho sorriu sem saber que estava chorando. Na manhã seguinte, a vila encontrou pegadas enormes que iam até a borda do bosque e voltavam, levando pequenos presentes: galhos de goiabeira, flores amassadas e frutas maduras no topo de uma pedra. Crianças corriam, rindo, com cheiro de pomar entre as mãos. A fumaça que antes assustara, agora vinha de uma caverna onde o bicho cozinhava folhas de erva para fazer um chá forte, que o fazia ronronar de prazer. O animal não era mais um monstro nas histórias, e Joãozinho não era só o menino curioso. Sentavam-se junto ao riacho, o menino tocando a escama que lembrava telha quente, o bicho soprando nuvens que cheiravam a açúcar queimado. Às vezes, o grande amigo ajudava a apanhar frutos nas árvores mais altas; em outras, guardava a vila nas noites de vento, assoprando calor para quem tremia. Quando chovia, as crianças pulavam em poças e o bicho gostava de observar, com os olhos brilhando como lanternas. Joãozinho aprendeu que coragem podia ser um gesto pequeno — esperar, ouvir, não apressar a dor dos outros. O vínculo nasceu do toque cuidadoso, do silêncio compartilhado e de um chá morno que, por fim, aquecia duas almas. Numa tarde dourada, Joãozinho e o bicho subiram a serra. Pararam no topo e olharam o vale inteiro: telhados, cercas, o riacho cortando a terra como linha de prata. O dragão inclinou a cabeça e soltou um sopro suave que cheirou a canela e alegria. Joãozinho riu. Enfiou a mão entre as escamas e, sem palavras, acariciou o amigo. O vento levou o som da risada pelo campo, como se uma nova história tivesse começado ali, debaixo das nuvens.

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